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Este facto possibilita aos "outros" o conhecimento de determinados aspectos da vida privada daqueles que foram eleitos como objecto de registo. Este "conhecimento" pode ser algo de interesse e aliciante para os primeiros, mas penoso e incómodo para os segundos. Nesta série de trabalhos, intitulada Family Portrait (por ser, de facto, disso que se trata) propõe-se uma reflexão sobre a problemática do trazer a público algo que, pela sua natureza, deveria ser mantido privado. Até onde cabe a justificativa da reprodução de uma imagem pela sua presumível relevância histórica, jornalística ou de suposto "interesse público"? A partir de onde deverá começar o respeito pela privacidade alheia? Family Portrait propõe o caminho inverso. Remete novamente para a esfera do privado o que foi considerado do "domínio público". Partindo da fotografia, a imagem é trabalhada, fragmentada; o detalhe é enfatizado, por meio de ampliação ou corte, descontextualizando o momento representado da sua envolvente física e temporal e os participantes são descaracterizados e despidos da sua essência. Ao espectador é dada apenas a conhecer parte da realidade, um fragmento do momento registado, preservando, desta forma, o carácter íntimo (e privado) desse mesmo momento. simenta/Outubro.2008 |